Um dos meus feriados preferidos. Acontece sempre uma revolução na minha vida durante a quaresma e durante a semana santa também. Então domingo de páscoa é sempre especial.
Esse ano meu pimpolhinho de 2 anos e 5 meses já estava esperando pelo coelhinho e seus ovos de chocolate. Foi como se fosse a primeira páscoa dele. Foi lindo e mágico.
Mas mais mágico foi o que aconteceu dentro de mim, durante esse período todo.
Pra começar, aquela velha tristeza sem fim me invadiu, como sempre acontece com tudo que é importante pra mim. Aí me vejo tentando saber o porque. E quando vi já vasculhei toda minha existência – o que demora uma “eternidade”. Aí vem a consciência. E Finalmente o real motivo.
Dessa vez, ainda não cheguei no real motivo, mas a procura me fez encontrar alguns pontos pra me maravilhar.
Eu já fui de falar tudo que penso... e ainda tenho fama de ser assim, mesmo não sendo mais. Aliás tudo aquilo que eu falava, hoje estão comigo sim... nos 15 quilos a mais. Incrível como nosso organismo da um jeito de arrumar as coisas. Agora só preciso aprender uma outra fuga pras palavras, porque comer já vi que num deu certo. Mas toquei nesse assunto, porque sofri muito nos últimos três dias. Por estar mais atenta ao meu redor, procurando o motivo daquela tristeza sem fim... vivi momentos angustiantes quando percebi que agora, as pessoas me falam as coisas, aquilo me machuca e eu simplesmente não consigo expressar essa tristeza de forma nenhuma. Nenhuma mesmo. Não falo na hora. Não choro. Não como a mágoa (ufa!). E não volto a procurar a causa da mágoa nem depois de ter passado. Lógico que o sentimento ta ali em algum lugar. Quando a gente fala sobre ele, ele se desfaz. E ponto. Quando a gente não o faz, ele fica guardado. Mas pode ter certeza que ele está em algum lugar, ou mudou, ou você ainda vai descobrir onde ele esta. Mas esse não é meu ponto aqui. (Calma, já to chegando onde eu quero.)
Me pego daí. Tive três pequenos desentendimentos, que me fariam antes explodir, chorar, até berrar. E não o fiz. Não sei como e não sei porque. Mas me ative ao meu filho. Meu foco foi nele. Porque de alguma forma algo mudou.
Preciso parar aqui pra explicar algumas coisinhas antes de continuar meu ponto de vista ok.
Não tenho e nunca tive um relacionamento muito saudável com a minha mãe.Portanto sempre fui eu vivendo comigo mesma. Assim aprendi a dividir só o que queria, e só com quem queria. E me prendi dentro do meu mundo. Assim como muita gente faz. Daí conheci meu marido e não me vi mais sozinha. Ele é aquele que se transformou na minha base. Depois que o conheci, vi que pra ele eu podia ser eu mesma. É bom. Foi uma das minhas maiores e melhores descobertas na vida. E a única parte ruim é quando a gente briga, porque aí não tenho ele pra conversar sobre. Hehe. São poucas brigas é verdade, mas elas existem como em qualquer relacionamento. Andamos pensando que já ta na hora de ter nosso segundo filho. O que me deixou preocupada. Porque logo me vi querendo uma menina, e como é que eu serei mãe de uma menina??? E será que minha depressão pós-parto voltará com segundo filho?? Tantas incógnitas.
E é bem ai onde queria chegar.
Tivemos uma pequena discussão sobre alguma bobagem qualquer, que na verdade nem me lembro. E meu filho estava do lado. Como ele estava do lado, eu simplesmente disse pro meu marido não falar comigo e ele esbravejou alguma coisa. Ambos muito comportados, porque o pimpolhinho estava do lado. Eu me levantei pra não ficar com cara feia ou chorar perto dele. E ao me levantar a minha surpresa.
Meu filho disse: - Desculpa mamãe.
O pequeno percebeu que eu tinha ficado brava/triste com alguma coisa. Nem sabia o que era e sabia que não era culpa dele, mas pediu desculpa. E o meu marido logo disse que não era culpa dele.
Sabe o que aconteceu? Meu filho de 2 anos e 5 meses disse: - Você ta bravo, papai?
Como quem diz – “Foi você então né, papai?”
E eu percebi que aquela única exceção a minha regrinha do ficar sozinha, que é quando eu brigo com meu marido, agora não é mais. Porque eu tenho meu filho pra estar lá pra mim.
Tão pequenino e tão sábio. Tão confortador perceber a presença real dele ali, pra mim.
Que dia maravilhoso.
Mas como ninguém é perfeito...
Nessa descoberta linda de ter realmente meu filho comigo, me peguei pensando no futuro.
No dele. E em como todo mundo diz que os filhos não são nossos, são do mundo.
E consegui entender minha sogra, quando fica triste por estar longe dos filhos. Que eu sempre achei tão exagerado... (porque a minha felicidade sempre esteve o mais longe possivel da minha mãe né)
E na hora me deparei com o seguinte pensamento: - Não quero meu filho longe de mim. Nem estudando longe, nem morando longe.
Quanto egoísmo. Quanta hipocrisia. Quanta dicotomia.
Coisas que só entendei agora.
Um amor tão diferente, tão hipócrita, tão egoísta. Tão absurdamente ...
E ele ainda tem todo seu futuro pela frente... o que vai fazer, quem vai ser...
E tudo que a gente sonha é o seu bem, sua felicidade. E sabe que pra isso aquele pensamento de tê-lo ao meu lado, vai ficando mais longe. Mais distante.
Por hoje então, fico com isso. Sem futuro.
Aproveitando cada dia que tenho com ele, um de cada vez.
Essa noite vou colocá-lo pra dormir comigo, contrariando tudo que se diz sobre isso. Porque quero, só hoje, dormir agarrada nele, sentindo seu rostinho. E que mãe não quer isso hein?
Não cheguei a conclusão daquilo que estou procurando, mas durante minha procura descobri algo inteiramente e lindamente mágico – Meu Filho e meu marido. Minha família. Aqueles seres que completam a minha existência tão perfeitamente.
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